Teorias insanáveis.

Um bocado de senso comum baseado em um dedinho de literatura misturada à música e ao cinema. OU: uma bomba de suposições irremediáveis. __Tanto faz.__

Teorias insanáveis.

Um bocado de senso comum baseado em um dedinho de literatura misturada à música e ao cinema. OU: uma bomba de suposições irremediáveis. __Tanto faz.__
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Terra Blog

26.09.07

Que venha o hexa!

categorias: Teorias inúteis.

Letras um tanto quanto insinuantes:

“...Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz...”

Raul Seixas discordava de Paulo Miklos.
Saca só:

“Não importa a contradição,
O que importa é a televisão.
Dizer que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume, então”

Será que Raul criticava a “geração coca-cola” de Renato Russo?

A televisão, revistas, jornais, rádio e muros pichados (!), estão cada vez menos embasados de fúria social, econômica e política.
As pessoas não têm mais mesma gana que tiveram aqueles jovens que pintavam a cara e saíam xingando os governantes em busca de melhorias.
O comodismo da cesta básica trazida pelo assistente social no começo de mês transformou o coração das pessoas e, o dinheirinho extra por um furo de reportagem, é melhor que dizer a verdade.
Os cidadãos brasileiros estão desacreditados no país.
O fator de não existir educadores profissionais aptos a formar eleitores conscientes, é alarmante.
O que esperar do Brasil quando sucessos como “É o tchan” estão na boca de crianças que nem foram alfabetizadas?
Eu fiz parte dessa estatística também, mas não culpo os grupos chulos pela atenção que lhes é dada.
De quem será a culpa da alienação da juventude?
E o prêmio vai pra quem respondeu: A CULPA É DOS PAIS.
MAS ESPERA AÍ!!! Quais pais?
Aqueles que freqüentaram escolas piores que as atuais (quando muito!), que foram criados - na maioria das vezes - por pessoas humildes a ponto de não terem ao menos noções básicas de higiene?
Aqueles mesmos pais que tiveram educação de gente que preferia tirar um dente ao invés de tratá-lo, que repartia um ovo em quatro, que fazia sabão com a gordura que sobrava dos alimentos, que costurava sacos de estopa para vestir os filhos, que cortava as pontas dos sapatos para não apertarem os pés?

Difícil resolver tal dilema, pois:
O avião caiu mas a novela das oito continua bombando;
O dólar massacra nossa moeda e nós ouvimos “Big girls don’t cry”;
O turismo é um dos mercados mais promissores enquanto crianças morrem de fome no interior do nordeste.

A mídia tem uma parcela de culpa, também. Há muita malícia nos safados que editam as reportagens, nos malandros que escrevem em revistas sensacionalistas e nas pessoas que enganam a população com barbaridades agradáveis aos ouvidos e olhos. Ninguém se dá o luxo de saber o que realmente acontece em nossa nação, inclusive eu.
Está tudo tão confuso que eu já me perdi nas operações com nomes esquisitos, nos dossiês escandalosos, nas CPIs tão promissoras aos futuros candidatos.
Falando nisso, existe coisa mais sacana do que aqueles discursos inflamados dos deputados na apuração de alguma falcatrua recentemente descoberta? No TV Senado estão os atores mais bem pagos do Brasil.

Esse texto é tão perfeito, que resolvi postar aqui, pra calçar meu pensamento:

Um homem de consciência

Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto no coração o deperecimento visível de sua Itaoca.
_ Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando...
João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.
_ É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está eprdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo trouxa e boto-me fora daqui.
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada...
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou no seu cavalo magro e partiu.
_ Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?
_ Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
_ Mas, como? Agora que vocês está delegado?
_ Justamente. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus.
E sumiu.

(conto extraído de Cidades Mortas, de Monteiro Lobato)

O exercício de tentarmos justificar o título do conto, já é algo louvável.
João, consciente de sua limitação prefere abrir mão de agir concretamente na melhoria de algo que tanto o aflige. Essa é a diferença dele para nossos atuais representantes.
O fato é que, mesmo enfrentando adversidades escabrosas por conta dos escolhidos, não devemos agir como João Teodoro. Deixar de lutar, pela descrença em nossa própria escolha, é covardia.
Mesmo sem vislumbrar grandes soluções imediatas, meu instinto eleitoral – tosado por quinze anos de escola -, ainda vale alguma coisa. Talvez o defendido no modernismo, como ilustra Drummond, na primeira edição de “A Revista”, é o ponto básico: “... Será preciso dizer que temos um ideal? Ele se apóia no mais franco e decidido nacionalismo...”.
Governantes têm um dever quase divino, que é o de velar por nossa apresentação perante o mundo e administrar nosso dinheiro de modo favorecer o bem-comum ao aplicá-lo. O primeiro passo é escalar um time que jogue do nosso lado.

E O RESTO?
Bem, o resto fica ao encargo da seleção brasileira de futebol.
Tanta porcaria num país só, me dá nos nervos.

=D


                

 

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 22:27:42
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