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Hoje é o dia da democracia. Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade.
Livres? Que ilusão!
Não estou falando sobre política, esse assunto tem me dado nos nervos, ultimamente.
Acontece que estive pensando sobre algumas coisinhas da vida: eu estou louca ou de fato nós não temos controle nenhum sobre nossa condição?
Eu queria agora, sair desse forno de escritório e ir pra prainha da cidade vizinha. Melhor: queria ir pra sampa ver minha irmã (que saudade, Jisúis).
A Constituição me deixa ir – sinto a liberdade bater nos meus cabelos soltos. Sou livrezinha da silva. =D
Mas o mesmo sistema que me deixa tão soltinha, me bloqueia quando inventou o salário de categoria e férias só depois de um ano de tempo de serviço.
Então, ok. Vamos beber no barzinho aqui do lado, quando o expediente acabar. Isso não pode ser proibido em lugar nenhum do mundo, não é? Mas e o cabelo que eu tenho que cortar? E a literatura que eu tenho pra estudar? E a moto que eu tenho que lavar? (ai, que reclamonaaaaaa).
Ok. Isso é bem problema meu. A Lei não pode ser culpada pelos meus compromissos.
Mas do mesmo modo, não me sinto dona do meu nariz.
EU NÃO SOU DONA DO MEU NARIZ!
Isso dói, não? Na verdade:
- Eu não quero ir aos churrasquinhos de fim de ano da loja, e tenho uma vontade imensa de dar um perdido naquelas palestras chatíssimas (em que a única coisa que o cara vai dizer que você ainda não sabe, é o nome dele).
- Eu não quero ninguém me visitando no meu aniversário (coisa mais sem graça: o que eu faço pra disfarçar a cara de descontentamento com aqueles presentinhos sem noção?).
- Eu não quero estar solteiraaaa (sinto olhares de: “Ninguém te agüenta, hein, minha filha!”)!
- Eu quero beber Martini no café da manhã, comer Doritos no almoço e sopa de letrinha no jantar.
- Quero dormir de conchinha com alguém que se encontra há 600 km daqui. Hunf!
- Quero ter imortalidade (essa foi fera...).
Eu não sou dona de nada! Não mando em nada! Não sou livre pra nada!
Não consigo nem fazer meu cabelo parar quieto, que direi de coisas mais importantes?
“Poderia se dizer que livre, livre mesmo, é quem decide de uma hora para outra que naquela noite quer jantar em Paris e pega um avião. Mas, mesmo este depende de estar com o passaporte em dia e encontrar lugar no avião. E nunca escapará da dura realidade de que só chegará em Paris para o almoço do dia seguinte. O planeta tem seus protocolos.” Luís Fernando Veríssimo.

Estátua da Liberdade em Nova Iorque/Estados Unidos (mais conhecida como Terra do Tio Sam). Papai Noel tem mais credibilidade. Notem o sarro que ela tira de sua própria condição. =S
Pois é, moçadinha. "Conformação", essa é a palavra. EM LUGAR ALGUM DO GLOBO seria possível ir e vir da maneira que fosse conveniente para nós. Há muito mais em jogo: impedimentos legais, sociais, financeiros, geográficos e até divinos (hhahahaha). Enquanto o limite de um terminar onde começa o do outro (que chavão indecente), estaremos presos até os dentes (mas não seria ARMADOS até os dentes?).
Ps: Notem: não sou livre nem pra errar nos ditadinhos chulos. Nem minha consciência me deixa livre!!!

criado por Cáh.
15:12:37