Teorias insanáveis.

Um bocado de senso comum baseado em um dedinho de literatura misturada à música e ao cinema. OU: uma bomba de suposições irremediáveis. __Tanto faz.__

Teorias insanáveis.

Um bocado de senso comum baseado em um dedinho de literatura misturada à música e ao cinema. OU: uma bomba de suposições irremediáveis. __Tanto faz.__
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Arquivo de: 2007

14.11.07

Sobre fé.

"Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, 'Aqui estou!'

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que não o conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter, quando acabemos...!"

Fernando Pessoa - na voz de Alberto Caeiro.
Visionário.

Por dias, esse poema ficou no meu perfil do orkut, mas acho que as pessoas não estão preparadas pra isso.
Sabe qual é? Eu acho que já estou bem grandinha pra acreditar em amiguinhos imaginários. E tem mais: estou cansada das invenções humanas.

Jesus foi um cara bacana. Pra mim, o melhor usuário da retórica. Mas eu repudio seus discípulos. Estragaram tudo, coitados. Aliás, coitado de Jesus, que morreu defendendo algo que não souberam dar continuidade.
A Bíblia me instiga a arrancar os cabelos!
Afe.

Quanto a Deus, bem, vou ficar bem quietinha, fazendo o melhor que posso a minha volta. Talvez, se o céu existir, ele entenda e me perdoe por não acreditar em histórias omissas.

O pior de tudo, é que sou católica, de ir à missa.
Ando meio ressabiada, mas vou porque gosto de acompanhar minha avó (ela me roga pragas inimagináveis, se não for).
E, se existe algo que bote medo no ser humano, é o tal do castigo pelo pecado.
Ui. Medinhos pelo corpo todo. E eu não acho bom que seja assim. Por medo, é forçado: uma fé falsa.

Eu não queria decepcionar minha avó. É tão doce a pureza dela, quanto a sua fé. Admiro quem consegue enxergar através das 'entrelinhas'.

Se rezo? Rezo todas as noites. Peço por todos que amo. Mas não é um pedido imaginário: é como se fosse um exercício de otimismo, tal qual ‘The Secret’. Eu tenho análise grátis todas as noites. Digo tudo o que fiz, tudo o que temo, tudo o que anda acontecendo comigo e talz. Faço uns ‘em nome do pai’, e num sei mais o que... e durmo. Durmo certa de que, é horrível ficar falando sozinha no escuro, e que vou tentar ser melhor dali pra frente, pra evitar as divagações noturnas. Deus nos faz sentir impureza de espírito. Bichos insanos, de uma Terra impura!! rsrsrs..

Acho que vou pro céu, se o mesmo existir.
Sou uma boa garota.
Deus entenderá meu ceticismo.

 

 

Espero.

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 14:33:52

01.11.07

Síndrome da perdição.

Carla e sua mãe no caminho pro serviço:

_ Manhêêêê! Segura em mim!! Toda vez que eu acelero, dá a impressão que você caiu da garupa.

_ Uai! Tá com medo de perder a véia? Tá com a SÍNDROME DA PERDIÇÃO? - e um sorrisinho de canto de boca.

 

É de lascar.

 

 

 

No mesmo dia:

_ Manhêêêê! Tira esse cabeção da frente!! Toda vez que eu vou olhar no retrovisor, você tapa a visão, e se eu viro a cabeça, você vira também!! Ô manhêê! Eu que tô dirigindo!

E com toda calma do mundo, responde:

_ Filha, não basta ser mãe, tem que participar.

 

Vocês perderam a cara de sabichona.

 

¬¬' 

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 09:37:28

26.10.07

Pedido de desculpa.

categorias: Especial pra Carol

Quando crianças, eu tinha as melhores Barbies e ela ficava com o que restava, sem nunca ter reclamado.
Numa ocasião, eu fiz birra porque não queria viajar pra casa de nossos avós paternos. Ela, pelo contrário, queria ir de todo jeito. Papai disse que só levaria se fôssemos nós duas. Recordo-me até hoje da cena dela com a malinha na mão chorando e eu escondida na barra da saia da minha mãe. Por minha máxima culpa, estraguei os planos dela.
A primeira vez que respondi pra minha mãe, me inspirei nela. E, contraditoriamente, a primeira vez que precisei de alguém que apaziguasse a situação entre eu e mamãe, foi ela quem o fez, com aquela ligação na madrugada.

Quando precisei da chave de casa naquele carnaval, ela me emprestou e escondeu de todos o verdadeiro motivo.
Engolimos o choro pra confortar uma a outra, nas mortes dos nossos queridos.
Rimos juntas dos "desastres" de nossas vidas.
Me orgulho muito de sua meiguice e me culpo por ser quase um moleque (em questão de delicadeza). Fico toda cheia quando ouço que ela é linda. Ela é sim! A mais linda de todas!

Era tão inocente que insistia em me contar seus segredinhos, sabendo que na primeira briguinha boba, eu contaria pra nossa mãe.
Quase morreu de medo, mas não arredou o pé quando ameaçaram bater em mim na sexta série... Tadinha!!
Briguei muito pelo seu jeito despreocupado com a vida, escondendo no fundo uma vontade louca de vê-la vencer.
Quase a obriguei a prestar vestibular na mesma faculdade que eu, e no mesmo curso, de preferência.
Já soquei muito ela (devido o meu lado “jeitoso” de fazer valer o que eu quero) e, já gritei com ela na rua. E ela, com toda experiência que nossos dois anos de diferença lhe deram, simplesmente me ignorou.
Ganhei vários presentinhos surpresa dela, e retribuí com o mais sincero sorriso. SOMENTE com isso.
Quase fiz ela arrancar os cabelos - tamanha preocupação - na ocasião em que quis medir a força do meu fêmur numa moto a 80 km/hr. Ela chegou no hospital toda esbaforida, toda chorosa. E cantou comigo “vem ficar comigo, sem mais demora...” nas noites longas que seguiram, pra tentar, quem sabe, enganar minha dor. Levou até uma bronca da enfermeira, por chamá-la a cada suspiro meu.
Confesso que fugi das aulas de culinária da minha mãe só pra me ver livre do compromisso de ajudar. E ela, mais uma vez, aprendeu a fazer o melhor almoço destes lados do oeste (rsrs).
Sempre sabe o que dizer a respeito de minhas relações amorosas - apesar de também saber que não adianta nada ficar dando conselhos pra alguém que não ama nem a si mesma.
Sempre me defendeu. Em qualquer hipótese.
Nunca teve vergonha de carregar a irmã pentelha nas baladinhas com suas amigas.
Sempre teve que suportar as minhas estúpidas piadinhas em relação a sua doce ingenuidade.
Na adolescência, teve que trancar o quarto várias vezes pra eu não ler seu diário. Ultimamente, trancava pra evitar que eu fizesse visitinhas no seu guarda-roupa.
Me ensinou muito sobre os meus ídolos, me mostrando um mundinho diferente daquele que eu via na televisão. Na verdade, me ensinou quase tudo que eu sei. As outras parcelas, eu devo a minha mãe e minha avó.
Mas, de repente, veio com um papinho de que precisava sair daqui, porque a cidade estava pequena pros seus sonhos.
Deixou-me aqui e foi-se embora.
É. 


“Eu continuo aqui
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim:
Dias de chuva, dias de sol
E o que sinto, não sei dizer...
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez”



Eu sei que sou uma criaturinha insuportável, mas, neste caso, mereço ouvir um pedido de desculpa.

Posso estar sendo egoísta (sei que estou), mas ainda assim mereço.

Sei que tenho que aprender a me virar sozinha, mas ainda assim, mereço.

Sei que não ficaríamos a vida toda juntas. Mas mereço assim mesmo!

 

Mereço porque ela deixou arte por fazer. Deixou conselhos por dar. E também porque deve estar cheia de amigas novas, por lá. 

=[

É só saudade, no Natal passa.



Ps: Essas coisinhas são difíceis de dizer no focinho da pessoa.


E tá cheia dos passeios, por lá. hehehehe!! Que fofura essa guria, não?

 

Na última vez que veio, quando ligou pra avisar que viria, disse: "Carlinha, fala pra mãe que não precisa arrumar meu quarto. Eu quero dormir no seu: vamos ficar de conversinha à toa..."

Quando chegou, me acordou com um beijinho e me chamou pra passear. Fiz beicinho porque ela não quis ir pra boate comigo. No outro dia, comemos numa lanchonete. Falamos do dia-a-dia, pra não demonstrarmos que a saudade machuca. Nos despedimos com voz trêmula e fomos chorar separadas.

Ela, no ônibus de volta.

Eu, no caminho pra casa.

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 14:01:41

25.10.07

Nem na terra do Tio Sam.

categorias: Teorias inúteis.

Hoje é o dia da democracia. Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade.
Livres? Que ilusão!


Não estou falando sobre política, esse assunto tem me dado nos nervos, ultimamente.
Acontece que estive pensando sobre algumas coisinhas da vida: eu estou louca ou de fato nós não temos controle nenhum sobre nossa condição?

Eu queria agora, sair desse forno de escritório e ir pra prainha da cidade vizinha. Melhor: queria ir pra sampa ver minha irmã (que saudade, Jisúis).
A Constituição me deixa ir – sinto a liberdade bater nos meus cabelos soltos. Sou livrezinha da silva.  =D
Mas o mesmo sistema que me deixa tão soltinha, me bloqueia quando inventou o salário de categoria e férias só depois de um ano de tempo de serviço.
Então, ok. Vamos beber no barzinho aqui do lado, quando o expediente acabar. Isso não pode ser proibido em lugar nenhum do mundo, não é? Mas e o cabelo que eu tenho que cortar? E a literatura que eu tenho pra estudar? E a moto que eu tenho que lavar? (ai, que reclamonaaaaaa).
Ok. Isso é bem problema meu. A Lei não pode ser culpada pelos meus compromissos.
Mas do mesmo modo, não me sinto dona do meu nariz.

EU NÃO SOU DONA DO MEU NARIZ!
Isso dói, não? Na verdade:
- Eu não quero ir aos churrasquinhos de fim de ano da loja, e tenho uma vontade imensa de dar um perdido naquelas palestras chatíssimas (em que a única coisa que o cara vai dizer que você ainda não sabe, é o nome dele).
- Eu não quero ninguém me visitando no meu aniversário (coisa mais sem graça: o que eu faço pra disfarçar a cara de descontentamento com aqueles presentinhos sem noção?).
- Eu não quero estar solteiraaaa (sinto olhares de: “Ninguém te agüenta, hein, minha filha!”)!
- Eu quero beber Martini no café da manhã, comer Doritos no almoço e sopa de letrinha no jantar.
- Quero dormir de conchinha com alguém que se encontra há 600 km daqui. Hunf!
- Quero ter imortalidade (essa foi fera...).


Eu não sou dona de nada! Não mando em nada! Não sou livre pra nada!
Não consigo nem fazer meu cabelo parar quieto, que direi de coisas mais importantes?


“Poderia se dizer que livre, livre mesmo, é quem decide de uma hora para outra que naquela noite quer jantar em Paris e pega um avião. Mas, mesmo este depende de estar com o passaporte em dia e encontrar lugar no avião. E nunca escapará da dura realidade de que só chegará em Paris para o almoço do dia seguinte. O planeta tem seus protocolos.” Luís Fernando Veríssimo.


 Estátua da Liberdade em Nova Iorque/Estados Unidos (mais conhecida como Terra do Tio Sam). Papai Noel tem mais credibilidade. Notem o sarro que ela tira de sua própria condição. =S

 

Pois é, moçadinha. "Conformação", essa é a palavra. EM LUGAR ALGUM DO GLOBO seria possível ir e vir da maneira que fosse conveniente para nós. Há muito mais em jogo: impedimentos legais, sociais, financeiros, geográficos e até divinos (hhahahaha). Enquanto o limite de um terminar onde começa o do outro (que chavão indecente), estaremos  presos até os dentes (mas não seria ARMADOS até os dentes?).

 

Ps: Notem: não sou livre nem pra errar nos ditadinhos chulos. Nem minha consciência me deixa livre!!!

 

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 15:12:37

24.10.07

A arte da inversão.

categorias: Bobeiras minhas.

"Malandro é malandro...

 

Meu endereço de msn fornecido depois de um pedido insistente seguido de um sorrisinho singelo.

 

Misto de ansiedade com sentimento de estupidez (vontade louca de me enfiar debaixo da mesa).

 

Demora.

 

Janelinha subindo (borboletas no estômago).

 

Nada. Silêncio total.

 

“Eu sabia, esse menino esquisito. Perda de tempo.” – pensei.

 

E nada.

 

Arrisquei um “fala, mlk!”.

 

Levei um: “espera aí”.

 

Passeio breve pelo orkut.

 

Descoberta bombástica: menina cheia de firulas pra cima do meu recém ex-namorado.

 

Urubus no estômago. Banheiro, urgente (fiz nº 2, tamanho foi o choque).

 

Voltei. Menino todo alvoroçado.

 

“Cheguei, fio.” - antes tivesse ficado quieta.

 

“Legal, tô indo dormir”, arrebatou.

 

“Não, que isso... Vamos conversar.” – idiota, idiota, idiota. Cala essa boca, sua imbecil. Ele que se lasque.

 

Meu contato parece estar off line.

 

¬¬’

 

Filho da puta, eu só fui cagar. Agora fiquei como se estivesse desesperada pro papinho morno. Até me esnobou. Eu sou um lixo, mesmo. Ele deve ter me adicionado num tipo de listinha de "meninas fáceis, pegáveis quando quiser". Que vidinha cacete!

Quer saber? Muito bem feito! Culpa dessa minha samonguice. Rá!

 

 

... e mané é mané!"

  • criado por  Cáh. criado por Cáh.
  • Postado em 15:56:22